Roteiros brasileiros em Lisboa

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Há cada vez mais presença da cultura brasileira na agenda lisboeta. Tem samba, tem coxinha de galinha e muito mais. Venha conhecer a história de algumas pessoas que mudaram a sua vida para cá e o que trazem de lá.


Trabalhadores do Restaurante posam para a foto© Margarida Serrano

Desde 2005, a nacionalidade brasileira é a maior comunidade estrangeira residente (20,4%) em Portugal. Entre estudantes universitários a trabalhadores, muitos são os que procuram Lisboa como destino. Quem vem traz uma bagagem material, sem dúvida, mas traz também uma bagagem cultural, repleta de referências, costumes, vocabulário, ritmos e ideias. De tantas manifestações culturais que estão a acontecer no momento em Lisboa, difícil é dar conta de todas elas.

No que toca à culinária, a conhecer tem o Tempero Brasileiro que abriu no final do ano passado e, com já clientes habituais e vários pedidos take-away, o negócio vai correndo bem. O menu oferece várias iguarias como a tradicional picanha e o bobó de camarão, prato típico do nordeste (altamente recomendado). A ideia do restaurante foi do casal que veio de Angra dos Reis, cidade no estado do Rio de Janeiro. Robinson e Viviane chegaram a Portugal como empreendedores e começaram um negócio que já conheciam na cidade natal, onde geriam uma pousada. Uma das razões de peso para esta mudança foi a estabilidade e segurança que acabaram por encontrar, que lá “a barra tava pesada”.

Quanto à música, vale a pena conhecer o Viva o Samba, projecto criado por cariocas e existe já há 3 anos. Desde então que  esta roda de samba apresenta-se todos os domingos a partir das 20h à beira rio, no icónico bar Titanic sur Mer. O samba promete durar até o sol raiar e, não se deixe enganar, o facto de ser domingo não desmotiva os sambistas a dançar até tarde, até porque quem chega cedo vê a sala vazia. É entre as 23h-00h que começa a chegar mais gente. O som da cuica e do pandeiro chega mais longe quando este projeto se alia a um outro chamado Limpar Santana. Criado por Nuno Lopes, esta é uma causa de crowdfunding que tem como objectivo criar novas infraestruturas inseridas num plano de saneamento do Quilombo de Santana no estado do Rio de Janeiro. O Viva o Samba colabora com este projeto ao fazer shows cujo o valor dos ingressos reverte para a causa. Outro lugar onde pode ouvir samba é o Bartô, é só ficar atento na agenda e lá ainda pode encontrar chorinho, um outro estilo musical brasileiro.

Roda de Samba©Will Mumu Silva

Ainda na música e desta vez uma versão não tão tradicional, tem o colectivo independente OBRA, que vem diretamente de São Paulo para Lisboa. Este é um colectivo de tecno, algo que tem surgido aqui em Lisboa mas que no Brasil é bem consolidado. Estas festas acontecem regularmente no EKA Palace e são as chamadas after-parties, só começam as 6 da manhã e vão até à tarde. Os colectivos de dj’s têm o compromisso não só de criar festas como também de representar e pôr em rede os artistas associados.

Se a tua pedalada for outra, no Bairro Alto, encontra-se a Casa do Brasil com uma programação bem diversa e preenchida. Desde oficinas de cavaquinho a sessões de cinema, esta associação sem fins lucrativos completa este ano 25 anos de existência.  As actividades têm um cunho bem político também, no site podemos encontrar a seguinte descrição “A CBL é laica, apartidária, porém não apolítica”. Vale a pena conhecer as tertúlias organizadas pela CBL, sempre com temáticas que nos interessam a todos como o feminismo, a questão dos direitos humanos e, parece-me uma forma interessante para os portugueses entenderem as dificuldades de quem chega e, quem sabe, repensar a relação que estabelecemos com aqueles chegam.

Todos estes movimentos, colectivos e instituições são formas de aproximar a comunidade brasileira em Lisboa e também de mostrar aos portugueses a riqueza que é a cultura brasileira. Um episódio comovente que ocorreu no passado 19 de Março, foi a vigília pela Marielle Franco, perfeita do Rio de Janeiro que foi brutalmente assasinada dias antes. Encheu a Praça Luís de Camões com várias pessoas, ideias e grupos políticos, unidos por uma causa.

A cultura brasileira está aí, sendo apresentada de diversas formas, tem muito para conhecer e oferta não falta! Para estar a par de todos esses eventos, sugiro uma visita pela plataforma Qual é a boa Lisboa?


Conteúdo produzido por: Margarida Serrano, no Âmbito da UC de Comunicação Digital da Licenciatura de Comunicação Social e Cultural