Combate ao Desemprego Jovem em Portugal

O desemprego jovem, em Portugal, com o passar dos anos, tem vindo a aumentar cada vez mais, malgrado o facto de o país ter vivido um período de maior estabilidade económica, política e social, no seguimento de grandes três crises económicas – nos anos 80, em 2011 e em 2020. É certo que se verificou um recuo do desemprego em termos percentuais, porém, persiste uma elevada taxa desemprego nas faixas mais jovens.


Gráfico do desemprego jovem
Gráfico do desemprego jovem dos países da zona euro. Fonte da Eurostat 2018

Portugal de momento tem uma das taxas de desemprego jovem mais altas na União Europeia, mais especificamente 15,9%, 2,9 pontos percentuais acima da média europeia que, se fixa nos 13%. As regiões do país em que os jovens enfrentam o desemprego são a Madeira (21,1%) , Algarve (19,4%) e Açores (17,2%). Destaque também para a Área Metropolitana de Lisboa que se encontra logo a seguir com uma taxa de 16,1%. Se estiver interessado em saber mais sobre as restantes regiões do país e respetivos países da zona euro, o Eurostat apresenta-lhe informação adicional detalhada e precisa.

Propostas dos partidos da Assembleia da República para o desemprego jovem

Partidos Políticos
Partidos políticos apresentam medidas para combater o desemprego jovem © Diogo Camarada

Para combater o desemprego jovem, os partidos com assento parlamentar na Assembleia da República apresentaram as suas iniciativas através dos seus programas eleitorais para as eleições legislativas 2022, sendo estes os partidos PSD, IL, CDU, PAN, BE, CHEGA. Já o LIVRE apresentou as suas iniciativas no XII Congresso em Março de 2022 e, por último, o PS, enquanto governo, lançou no seu site em 2021 as suas propostas face a este problema. Seguem-se, então, algumas das iniciativas expressas pelos partidos políticos:

PS (Partido Socialista)

  • Promoção do emprego sustentável e combate à precariedade, em particular, nos jovens.
  • Reforço da proteção dos jovens trabalhadores-estudantes e no âmbito dos estágios profissionais.
  • Melhoraria da conciliação entre trabalho, vida pessoal e familiar.
  • Desenvolvimento dos serviços públicos da administração do trabalho e a simplificação administrativa.

PSD (Partido Social Democrata)

  • Implementação do IRS jovem.
  • Recuperação do programa JTI – Jovens Técnicos para a Indústria.
  • Criação de um programa TF – Tecnologias no Feminino e de um programa JDI – Jovens Doutorados para a Indústria.
  • Aposta firme na criação de incentivos para uma mais fácil e rápida inserção dos jovens e regres­so dos desempregados ao mercado de trabalho.
  • Taxa máxima de IRS de 15% para jovens até aos 35 anos.

CDU (Coligação Democrática Unitária)

  • Incentivo à formação e qualificação dos jovens e trabalhadores.
  • Reduzir o período experimental, revogar o regime dos contratos de trabalho, bem como as normas que discriminam os jovens à procura do primeiro emprego.
  • Elevação progressiva e rápida do nível salarial em Portugal para combater a injusta distribuição de riqueza, melhorar as condições de vida dos trabalhadores e travar o esvaziamento do país em jovens qualificados.

Bloco de Esquerda

  • Revogação do alargamento do período experimental para jovens à procura do primeiro emprego e desempregados de longa duração.
  • Reforço dos serviços essenciais, como serviços públicos estratégicos, na saúde, na educação, entre outros, com mais 10 mil contratos por ano.
  • Criação de um programa especial de rejuvenescimento do corpo docente.

Iniciativa Liberal

  • Assegurar que os jovens e todos os trabalhadores, em transição no mercado de trabalho, têm acesso a informação de qualidade sobre as melhores oportunidades disponíveis para a sua formação e novos empregos.
  • Aumentar a equidade entre as gerações, reduzindo a desemprego e emigração dos jovens bem como os entraves ao acesso a muitas profissões.

CHEGA

  • Atribuição de benefícios fiscais aos jovens nos primeiros anos de inserção no mercado laboral, bem como a empresas que contratem, sem termo certo, jovens e a jovens que tenham emigrado há pelo menos dois anos para combater a precariedade laboral e combater o recurso abusivo a estágios.

PAN (Partido Animais e Natureza)

  • Avaliar os programas e resultados de intervenção com jovens NEET (Nem Estudam, Nem Trabalham).
  • Estabelecer uma estratégia nacional integrada, de atuação multidisciplinar e interministerial, com o objetivo de implementar um plano de ação específico para a população de jovens NEET, que contemple a prevenção deste fenómeno, a captação dos jovens, a formação e integração no mercado de trabalho, bem como o apoio às entidades da sociedade civil que integram estes jovens.

LIVRE

  • Prevenir o abandono escolar e reduzir o número de jovens entre os 18-24 que abandonaram a escola com nível equivalente ou inferior ao secundário, e que não seguiram para a universidade ou não se encontram em formação.
  • Desenvolver programas de formação que façam a ponte entre o sistema de ensino e o emprego.
  • Políticas ativas de emprego. Medidas que pretendem incentivar a contratação ou a formação de trabalhadores.

Para mais informações sobre as diversas propostas dos partidos, pode sempre consultar o site politica para todos que dá acesso a todos os programas eleitorais dos partidos com assento parlamentar, bem como os restantes que participaram nas eleições legislativas de 2022.

À conversa com membros de Juventudes Partidárias

Jovens membros de juventudes partidárias
Cristiana Pinto, presidente da JS Leiria, e Francisco Cabral, membro da JSD Setúbal, abordam o desemprego jovem © Diogo Camarada

Não são só os partidos da Assembleia da República que têm direito a refletir sobre o desemprego jovem, sendo este um assunto direcionado às faixas etárias com idades mais precoces, é de extrema relevância perceber o que pensam os jovens sobre este assunto. Posto isto, desceu-se ao terreno e foram entrevistados Francisco Cabral, membro da Juventude Social Democrata de Setúbal, e Cristiana Pinto, presidente da Juventude Socialista de Leiria. A questão essencial prendeu-se com o impacto desta questão para o país.

Francisco Cabral – Juventude Social Democrata

“Nos últimos 20 anos governados pelo partido socialista temos vivido períodos de estagnação económica e isto permite que haja uma desvalorização do trabalho e daquilo que é o talento dos jovens”

Primeiramente, Francisco Cabral defende que o desemprego jovem é desvalorizado devido à falta de participação política dos jovens dentro da sociedade civil e dentro da comunidade politica. Assim, isto acaba por determinar que os papeis da política sejam exercidos por faixas etárias mais avançadas, Francisco salienta também que falta ainda alguma representatividade dos jovens na Assembleia da República.

O desemprego jovem é algo que o preocupa bastante, visto que, muitos fazem parte do grupo de licenciados e de mestres. Além disso, um jovem desempregado está neste momento claramente prejudicado pelo clima em que vive, sobretudo, um clima de inflação, que tem como consequência o custo de vida, o aumento do preço do cabaz alimentar essencial e as despesas da habitação. Se já não é fácil conseguir-se um emprego, quanto mais conseguir sobreviver neste momento tão difícil. O membro da JSD destaca não só o desemprego, mas também os baixos salários de que os jovens portugueses são alvo, sendo que isto tem como consequência uma condição de vida mais precária.

Deste modo, Francisco Cabral afirma que os jovens merecem a atenção da sociedade, pois são futuro do nosso país. Se o desemprego jovem continuar a crescer e não tomar outro rumo, não só os jovens terão que experienciar uma vida precária, bem como se assistirá a uma sangria de mão de obra válida que se dirigirá para o exterior. O jovem salientou também, que o período de estagnação económica de que o país é alvo, muito por culpa dos anos de governação do partido socialista, levaram ao aumento da crise no desemprego jovem.

Cristiana Pinto – Juventude Socialista

“Será com politicas de teor ideológico que o nosso atual governo impõe, no melhor dos sentidos, que teremos a oportunidade de fazer face a esta conjuntura e de conseguir que um elevado número de jovens se sintam realizados no nosso país”

Cristiana Pinto, por outro lado, crê que o desemprego jovem não é algo que esteja a ser negligenciado, embora se assista ao aumento preocupante do desemprego jovem, aliás, estas percentagens terão repercussões no país, pelo que urge refletir sobre o assunto. É assim importante pensar a longo prazo, e chegar à melhor maneira de reter os jovens, em Portugal, e de usufruir da melhor do forma do conhecimento que ganharam ao longo da sua educação. Note-se que Portugal é um pais que licencia muitos jovens e que detém uma grande variedade de cursos. De facto, o assunto não é deixado de lado, mas muitas vezes tem que ser lembrado, já que nem sempre está no centro das atenções da agenda politica, que é também condicionada por uma agenda mediática em constante mudança. Cristiana Pinto afirma ainda que o jovens têm vindo a tomar cada vez mais um papel mais ativo em reinvindicações, apontando o dedo às condições que lhes são apresentadas, no contexto do desemprego que os afeta.

Este aumento do desemprego jovem é algo que preocupa muito este membro da JS, e como estudante com uma participação ativa no PS na área da juventude, Cristiana Pinto destaca que esta questão é uma prioridade não só para ela, mas também para a sua juventude partidária que deve ter uma voz ativa neste assunto tão delicado.

A jovem socialista expressou que não gosta de ser pessimista em relação ao futuro dos jovens e ao cenário que poderá ser vivido proximamente. Aliás, acredita que o governo atual tem mecanismos suficientes para ajudar os jovens e alavancar oportunidades de emprego. A seu ver, todos os jovens merecem ter garantias de segurança, de estabilidade e de condições de trabalho digno, o que é consensual em todos os quadrantes políticos. Apesar de se estar a viver tempos árduos, será com políticas de teor ideológico que se terá oportunidade de fazer frente aos problemas e com estas crê que um grande número de jovens se virão a sentir realizados em Portugal.

O artigo Tirei o Curso, e Agora? Desafios dos Jovens no Mercado de Trabalho disponibiliza mais informações sobre este problema no momento atual.

Fotografia de capa: licenciada por Pixabay License


Conteúdo produzido por Diogo Camarada, Gonçalo Mourato, Catherine Neves, Constança Silva, Joana Correia e Beatriz Costa no âmbito da Unidade Curricular Comunicação Digital da licenciatura em Comunicação Social e Cultural.