Óscares: voltar às origens

O ano de 2017 entra em festa com a cerimónia dos Óscares. Mais uma vez reuniram-se os melhores actores, produtores, realizadores e muitos outros profissionais do cinema americano e internacional. A noite de Hollywood rende-se mais uma vez à sua essência, tornando-se, involuntariamente, numa das curta-metragens mais polémica do ano. Miguel Morais, estudante apaixonado por cinema, deixa o seu olhar crítico sobre esta noite memorável.


Miguel Morais
Miguel Morais. © AEFCH

Não sou um expert em cinema. Sou, apenas, um apaixonado por cinema e um grande crítico desta arte. Desde pequeno e durante a minha infância, recordo-me de ir com o meu pai todas as semanas ao cinema. Posso dizer até, que foi ele quem me apresentou ao mundo de Hollywood e, quem sabe, se tenha iniciado assim a minha paixão pelo grande ecrã. De facto, teria não mais de sete anos quando vi, pela primeira vez, os Óscares. E que magnífica era aquela indústria! Mas, reforço o ‘era’, pois ao longo dos anos, uma cerimónia que em tempos admirei, alterou-se profundamente.

Contudo, é inegável que a cerimónia dos Óscares seja, sem dúvida, a mais emblemática no mundo do cinema. A academia conta com um ilustre painel de jurados, experientes na área, responsáveis pela nomeação e premiação da excelência cinematográfica de cada ano. Pelo menos, esta seria, em teoria, a definição.

Na prática, os Óscares, sem aviso prévio, deixaram de ser uma cerimónia que realmente premeia os melhores. Sejam melhores actores, realizadores, argumentos, fotografias ou bandas sonoras. Hoje, ganham os que têm que ganhar, aqueles que convêm. Pergunto-me, no entanto, a quem é que convém? A mim, de facto, não será. Aliás, posso enumerar uma lista de situações que, não querendo ser ofensivo, me parecem absolutamente ridículas: DiCaprio, que vence quando é “apenas” bom e perde quando é excepcional; A questão do racismo, que deixa a ideia de que a sombra do apartheid ainda existe, e que talvez as mudanças e a luta pela igualdade de raça não estejam ainda tão enraizadas quanto desejaríamos; A cereja no topo do bolo chega este ano, com um dos maiores erros da história dos Óscares. Apesar das desculpas, explicações ou justificações constantes, que todos os anos surgem, a realidade é clara: falta de empenho. E porquê? Com que objectivo? Não é esta a Grande cerimónia do cinema? Se é, empenhem-se e não a descredibilizem.

A sugestão que deixo para os muitos insatisfeitos como eu é a mudança de canal. Incentivo à descoberta, à procura de novas caras e novas histórias. Descubram (como eu, felizmente) a indústria dos filmes indie, que organiza eventos bastante mais justos, coerentes e estruturados.

Contudo, o meu olhar crítico é um reflexo de, mais uma vez, ter assistido com atenção a esta cerimónia. Recuando àquela noite, surpreendeu-me a escolha da vencedora para melhor actriz secundária, Viola Davis, pois sou da opinião de que haviam melhores nomeadas.  A desilusão da noite foi, definitivamente, a derrota de Andrew Garfield para melhor actor principal. Hacksaw Ridge merecia bastante mais, uma vez que é um filme demasiado bom para apenas dois Óscares. Nesta edição destaco, com entusiasmo, o filme Salesman, o actor Andrew Garfield e o realizador Mel Gibson. Tudo isto porque, acima do conceito de cerimónia, pretende-se celebrar o cinema. E o cinema é para ser apreciado e estudado. O seu papel é ensinar, contar histórias, mostrar diversas personalidades, formas de ver e encarar o mundo. O cinema tem a capacidade, como a arte no seu todo, de nos educar, moldar, modificar. De facto, sou apaixonado por cinema, pela simples razão de ter tantos filmes em mim, nas minhas falas, nos meus pensamentos, nas minhas formas de encarar o mundo.

Por isso, quero voltar ao tempo em que, aos meus olhos, os Óscares eram uma cerimónia magnífica, com classe. E que seja, mas que seja porque os prémios são entregues àqueles que são verdadeiramente os melhores. Melhorem o critério e o espírito. Voltem a tornar esta cerimónia numa reunião de amigos onde há honestidade e brincadeira, porque há espaço para rir, gozar e brincar, desde que, no fim da noite, não se brinque com os prémios. E muito menos, como este ano, se troquem os brinquedos.

No fundo, o importante é voltar às origens.


Conteúdo produzido por Bárbara Félix, Filipa Graça, Madalena Limão e Maria João Rodrigues, no âmbito da disciplina de Comunicação Digital, da licenciatura em Comunicação Cultural e Social.