Na nossa universidade, temos diversos estudantes estrangeiros com histórias muito interessantes acerca da sua vida, esta é uma delas. Sofia, a estudante que veio do Afeganistão à procura de melhor educação, contou-nos a sua surpreendente história.
Quando Sofia chegou a Lisboa em 2023 para começar os seus estudos na Universidade Católica Portuguesa, tudo à sua volta lhe parecia desconhecido. A língua parecia impossível de compreender, a cidade movia-se demasiado depressa e até tarefas simples, como encontrar uma casa ou falar com estranhos, tornaram-se desafios diários. Longe da sua família e do seu país de origem, a jovem estudante afegã teve de construir uma vida completamente nova sozinha. No entanto, através da determinação, do trabalho e do apoio de novas comunidades, Sofia transformou lentamente o medo e o isolamento em confiança e sentimento de pertença.
Um Novo Começo num País Desconhecido
Deixar o Afeganistão e mudar-se para Portugal representou simultaneamente uma oportunidade e um desafio para Sofia. Como muitos estudantes internacionais que chegam a um novo país, trazia consigo esperança numa educação melhor e num futuro mais seguro, mas também enfrentava incertezas e diferenças culturais.
Durante as primeiras semanas em Lisboa, Sofia teve dificuldades na comunicação do dia a dia. Sabia muito pouco português e sentia-se frequentemente ansiosa em espaços públicos. Situações simples, como pedir comida, falar com senhorios ou compreender informações da universidade, tornaram-se experiências stressantes.
“No início, até pedir informações básicas era difícil para mim”, explica Sofia. “Sentia-me sozinha porque não conseguia comunicar corretamente.”
Apesar destes obstáculos, Sofia manteve-se determinada a continuar os seus estudos e adaptar-se ao novo ambiente.
O Desafio da língua para um estudante deslocado
Uma das maiores dificuldades de Sofia foi a língua portuguesa. Apesar de muitas pessoas em Lisboa falarem inglês, rapidamente percebeu que a vida quotidiana se tornava muito mais fácil para quem conseguia comunicar em português.
Para melhorar as suas competências linguísticas, Sofia inscreveu-se em aulas de português e praticava sempre que possível. Ouvava atentamente as conversas, tentava falar com colegas e foi ganhando confiança gradualmente.
O processo não foi fácil. Por vezes sentia vergonha de cometer erros ou de não compreender as pessoas. Contudo, com o passar do tempo, a língua deixou de parecer uma barreira e tornou-se uma ferramenta que lhe permitiu conectar-se com os outros e resolver problemas do quotidiano de forma independente.
Hoje, Sofia consegue comunicar confortavelmente em português e gerir os seus estudos, trabalho e responsabilidades diárias com mais confiança.
Solidão Longe de Casa
Para além da barreira linguística, a solidão tornou-se outro grande desafio. Mudar-se para um país diferente significou deixar para trás familiares, amigos de infância e rotinas familiares.
No início, Sofia passava a maior parte do tempo sozinha. Adaptar-se a um ambiente social completamente novo foi emocionalmente difícil, especialmente enquanto carregava memórias do seu país e incertezas sobre o futuro.
“A parte mais difícil foi sentir-me desconectada de toda a gente que conhecia”, afirma. “Às vezes sentia falta de coisas simples, como falar a minha própria língua com pessoas próximas.”
Para muitos estudantes migrantes, construir uma rede social é uma das partes mais importantes da integração. Sofia começou lentamente a participar em atividades comunitárias, falar com colegas e conectar-se com outros estudantes internacionais que partilhavam experiências semelhantes.
Essas novas relações ajudaram-na gradualmente a sentir-se menos isolada e mais ligada à vida em Lisboa.
À Procura de um Lugar para Viver
A habitação tornou-se também uma das maiores preocupações de Sofia. A crise habitacional em Lisboa tem tornado cada vez mais difícil para estudantes e migrantes encontrar alojamento acessível, especialmente nas zonas centrais da cidade.
No início, Sofia teve dificuldades em encontrar uma casa estável e passou semanas à procura de quartos compatíveis com o seu orçamento limitado. Muitos senhorios pediam documentos que ela não compreendia totalmente, enquanto alguns apartamentos eram demasiado caros para uma estudante.
Para se sustentar financeiramente, Sofia começou a trabalhar em part-time aos fins de semana enquanto continuava os estudos.
Com o apoio de amigos e das comunidades que encontrou, acabou por conseguir uma casa mais confortável para viver. Essas redes sociais tornaram-se essenciais não apenas emocionalmente, mas também de forma prática, ajudando-a a orientar-se numa cidade desconhecida.
Construir uma Nova Comunidade
Com o passar do tempo, Lisboa deixou lentamente de parecer um lugar temporário e começou a sentir-se mais como casa.
Sofia construiu amizades através da universidade, das aulas de português e das comunidades locais. Essas relações ajudaram-na a compreender mais profundamente a cultura portuguesa e criaram um sentimento de pertença que tinha faltado durante os primeiros meses no país.
Embora continue a sentir saudades da família e da sua terra natal, Sofia afirma que criar novas conexões a ajudou a manter-se motivada e esperançosa.
Hoje, estuda, trabalha em part-time, fala português com confiança e gosta de explorar a cidade que antes lhe parecia intimidante.
Mais do que uma História Individual
A experiência de Sofia reflete a realidade vivida por muitos estudantes internacionais e migrantes que chegam a Portugal à procura de educação, segurança e novas oportunidades. Desafios como barreiras linguísticas, dificuldades habitacionais e isolamento social continuam a afetar muitos recém-chegados, particularmente em grandes cidades como Lisboa.
Ao mesmo tempo, histórias como a de Sofia demonstram também a importância da educação, do apoio comunitário e da inclusão para ajudar pessoas a adaptarem-se a novas sociedades.
A sua jornada relaciona-se diretamente com os objetivos de educação de qualidade, redução das desigualdades e comunidades inclusivas promovidos pela United Nations.
Embora o percurso de Sofia em Portugal ainda continue, a vida que construiu em Lisboa demonstra como a resiliência, a oportunidade e as ligações humanas podem transformar um lugar desconhecido num novo começo.
Este artigo foi escrito por Norina e Tomás Ferreira no âmbito da disciplina de Comunicação Digital



