Filmes: Cinema ou Televisão?

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Imagens valem mais do que mil palavras, já o dizia o ditado popular no tempo dos nossos avós e continua a ser verdade atualmente. Como utilizadores frequentes de redes sociais e plataformas de streaming, é fácil afirmar que os jovens do século XXI concordam com esta afirmação. No entanto, o problema é escolher entre duas imagens. Ou melhor, entre diferentes tamanhos da mesma imagem. Confuso? Nem por isso. O dilema contemporâneo é apenas um: cinema versus televisão. Através de um inquérito, fomos perceber como é feito o consumo cinematográfico dos jovens portugueses.

Bilhetes de cinema
“Os filmes são uma atividade social, e isso é tão verdade hoje em dia como era em 1895”, The New York Times.
Foto CC0 – Creative Commons

Os filmes têm, na sua génese, uma implicação associada. A ida ao cinema. Porém, com a consecutiva melhoria da qualidade das televisões e dos computadores, hoje em dia, a experiência de ver um filme em casa é quase comparável à de ver um filme no grande ecrã.

Em declarações ao jornal norte-americano The New York Times, o jornalista Jason Bailey, o qual escreve sobre streaming de filmes para o The Times’s Watching service, refere uma das piores experiências para quem escolhe a ida à sala de cinema: “pode acontecer [estarmos] sentados ao lado de um outro espetador, o qual escolhe estar as duas horas do filme a responder a mensagens e a pôr ‘gosto’ nas fotos do Instagram. É sempre este o caso? Não. Mas é frequente [isto acontecer]. Por isso, quem pode culpar o espetador que prefere ver os filmes, de forma mais barata, e num ambiente que possa controlar?”.

Bailey acrescenta ainda que “a escolha entre uma experiência imersiva na sala de cinema e uma experiência barata e fácil em casa pode (e devia) ser difícil. Porém, neste momento, não é”.

E não é uma escolha difícil porque as duas formas de visualizar conteúdos cinematográficos parecem coexistir pacificamente como afirma Nicolas Refn ao The Guardian: “A única coisa que precisamos de saber é que o ecrã de cinema e o telemóvel são coexistentes. Não há um melhor que o outro”.

Um outro artigo do jornal britânico aponta exatamente para os critérios que regulam a forma como os filmes se adaptam a esta escolha entre ecrãs:

“No cinema, os filmes reúnem grupos de pessoas, e tentam apelar aos acompanhantes bem como os fãs. (…) Mas a internet é diferente. Os espetadores estão a visualizar os [conteúdos] sozinhos, e os filmes podem ser feitos exclusivamente para certos grupos de fãs”.

É importante perceber que impacto é que este tema tem na vida dos jovens portugueses. Num inquérito feito a 23 alunos de várias universidades lisboetas, 18 pessoas afirmam preferir assistir a um filme no cinema do que na televisão, no computador ou no tablet. O que achas deste resultado? A verdade é que, de acordo com um estudo realizado pela Obercom, em Portugal o número de espectadores da sétima arte aumentou desde 2014. Esta subida da venda de bilhetes é justificada por diversas iniciativas, como por exemplo a Festa do Cinema, que dura três dias da semana e inclui descontos de mais de 50%.

Televisão
“No futuro acho que há mais pessoas a verem os filmes em casa”, Miguel Martins. Foto CC0 – Creative Commons

Miguel Martins, estudante universitário, quando questionado sobre as escolhas que faz, declara que costuma “ir ao cinema pelo menos uma vez por mês”. O mesmo acontece com 14 dos inquiridos. “A maior parte das vezes vou com amigos. Vamos com uma maior frequência no período de férias da universidade”, afirma o jovem estudante de engenharia, acrescentando que gosta “mais de ver filmes no cinema”. Miguel justifica a sua preferência dizendo que “a qualidade do som é melhor”.

Apenas uma pessoa inquirida escolheu a televisão como a plataforma eleita para assistir a filmes. Estes dados permitem-nos induzir que o computador e o tablet são dois dispositivos que estão a ganhar lugar nas preferências dos jovens amantes de cinema. Ainda assim, Miguel Martins não descarta a hipótese da caixinha mágica, “se for um filme que queira mesmo ver muito, vou ao cinema. Caso contrário, fico em casa e vejo na televisão”.

Coloca-se a possibilidade de, no futuro, os jovens deixarem de procurar o grande ecrã? Segundo o nosso entrevistado, a resposta é: “acredito que sim”. E complementa…

“Os portugueses preferem não gastar dinheiro. Não consideram a ida ao cinema uma atividade lúdica básica. Encontro muitas vezes as salas vazias”.

Um estudo recente, realizado pela Entidade Reguladora da Comunicação (ERC), indica que um dos conteúdos televisivos preferidos dos portugueses são os filmes. Para Miguel, essa é uma escolha óbvia, fundamentada por vantagens como poupar dinheiro, poder parar o filme sempre que o espectador quiser e estar mais confortável. O jovem adianta aquela que acha ser a futura resposta para todas estas questões: “os melhores televisores e os sistemas de som aproximar-nos-ão da qualidade do cinema em casa”.

E tu, em que plataforma te imaginas a assistir ao filme protagonizado pelo teu ator preferido daqui a uns anos?


Conteúdo produzido por Carolina Custódio, Maria Gomes, Núria Mateus e Sofia Rodrigues, no âmbito da disciplina de Comunicação Digital da licenciatura de Comunicação Social e Cultural.